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Como escolher um software educativo para seu filho ou aluno

segunda-feira, 15 de agosto de 2011




De uma coisa, todo mundo já sabe: difícil é encontrar criança que não fique fascinada ao entrar em contato com um computador. O apelo visual, primeiro critério que a criança usa para aprovar alguma coisa, é muito forte. O fato de poder lidar com uma máquina feita para os adultos também a atrai muito, além de cores, movimento, música e imagens fantásticas.
Isso deveria ser, então, o cenário ideal para se usar o computador como ferramenta eficiente de ensino. Mas não é o que acontece. O que se vê, mesmo entre os chamados especialistas, é uma completa falta de bom senso. E, assim, os pais e professores são, na maioria das vezes, conduzidos pela indústria dosoftware que se diz educativo e jogam em cima das crianças esses programas, que são baseados apenas nas idéias dos “teóricos educacionais” e, portanto, em sua grande maioria, de valor didático discutível.
O poder do computador como ferramenta educacional é indiscutível, mas se usado com critérios. A coisa mais importante é saber o que se está colocando nas mãos das crianças, tanto em casa como na escola. Não é brincadeira. Qualquer impressão errada passada à criança nessa fase terá repercussão pelo resto de sua vida.
Cuidados especiais
Não adianta acreditar em tudo o que dizem os fabricantes e distribuidores desoftware. Esses farão de tudo para vender seus produtos; se terão valor educativo de fato, é outra história.
Educação é uma coisa só, com ou sem tecnologia. Para educar bem, é preciso entender como funciona uma criança. Criança não é psicologicamente igual a adulto. Criança tem seu próprio ritmo, e forçá-la a tornar-se adulta antes do tempo — o que a maioria das pessoas tenta fazer — vai trazer prejuízos irreparáveis ao seu caráter, à sua capacidade intelectual e à sua maneira de ver a vida quando adulta.
Um importante lembrete
A presença do pai ou professor será sempre necessária no processo do aprender. O computador é apenas uma grande ferramenta auxiliar de trabalho nessa tarefa. Pai ou professor — orientando, encurtando os caminhos, usando os métodos tradicionais, incentivando brincadeiras de campo — nunca poderão ou deverão estar ausentes. A presença humana na educação é insubstituível. Sem ela, não há educação.
O bom professor ensina de um modo que o aluno não percebe que está estudando, não existem as obrigações explícitas comuns do aprender, então tudo é como diversão. Assim também deve ser um software educativo.
Então, como ensinar sem que o aluno perceba que está cumprindo a árdua missão de aprender alguma coisa?
Resumindo tudo, como associar um rico conteúdo didático a um programa que ensine e divirta ao mesmo tempo?
Quando uma brincadeira é divertida e envolvente, a criança tem prazer em praticá-la e conta as horas até que possa novamente repeti-la. Dificilmente a esquecerá, mesmo que suas regras sejam complexas.
Quais seriam, então, as brincadeiras que mais agradam às crianças? Para saber disso, é preciso entender como elas vêem o mundo à sua volta. E é um mundo muito diferente daquele que os adultos vêem. Sendo bom observador, paciente e tendo interesse, o adulto pode descobri-lo, mas, enquanto isso não é feito, aqui vão algumas dicas que muito poderão ajudar na hora de escolher umsoftware educativo, ou uma atividade educativa qualquer, para seu filho ou aluno.
 Primeiro, crianças são seres individuais e, portanto, apesar de viverem em coletividade, precisam ser tratadas de forma individual. Por uma questão cultural, meninos podem preferir softwares diferentes dos das meninas. Do ponto de vista didático, essa diferença não existe e não deve ser incentivada.
 A criança que pergunta muito só o faz se a pessoa ao seu lado for receptiva e lhe inspirar total confiança.
 Do ponto de vista de uma criança, a última impressão é a que fica. Se o pai ou professor ficarem de bom humor durante 364 dias do ano, mas estiver de cara feia no último dia, apenas esse último dia será levado em conta. Nesse caso, a última impressão é a que fica mesmo.
 O que soa agradável para uma criança pode não ser para outra, então, se possível, a escolha do software deve obedecer a critérios individuais.
 Errar e tentar de novo, infinitas vezes, é a regra básica de uma criança.
 A frase “Tá errado” deve ser substituída por “Vamos tentar agora dessa outra maneira”. “Tá errado” gera instabilidade e insegurança na criança. Ao término de uma tarefa, a frase destruidora da criatividade humana: “Você tem certeza?”, deve ser evitada. Diga simplesmente que está certo ou não e pronto.
 Aqui vale um alerta importante. Pais e professores, não se enganem. Crianças adoram jogos violentos, aqueles com muita destruição à volta, principalmente de ação, movimentação, explosões, tiros, efeitos sonoros incríveis e com o farto apelo visual que possuem esses softwares. Cabe, então, a cada um mantê-las afastadas desses. Os danos psicológicos que essessoftwares causam nas crianças, além de ansiedade comprovada, são devastadores e não vêm ao caso agora.
Uma coisa muito importante: a criança é bastante exigente quanto à qualidade gráfica e estética de um programa, e isso tem influência decisiva na sua aceitabilidade. O programa pode ser o melhor do mundo em conteúdo; se não tiver boa qualidade gráfica, é bom nem tentar.


Preferências infantis e partindo para a ação
Criança, basicamente, gosta de explorar, de ser desafiada, de desenhar, de objetos que se movem, de música, de sons engraçados, de fantasiar as coisas, de animais engraçados, de ver como as coisas funcionam, de ver o que as outras crianças estão fazendo, de ensinar a outras crianças, de ouvir histórias, de ter a atenção de alguém mais velho, de objetos estranhos, de brincar de construir alguma coisa, de observar formas curiosas e de não ter obrigações.
Então, o que a criança verdadeiramente gosta de fazer no computador e o que tem valor educacional para ela?
Aqui vamos destacar programas de dois tipos: os chamados Jogos Criativos, por serem de grande importância para esse público, e os de Desenho e Pintura.
  • Softwares educativos, quanto à sua vida útil, são classificados por um critério simples chamado repetibilidade. Significa: a vontade que a criança tem de jogá-lo outra vez, repetidas vezes.
  • Os softwares educacionais são normalmente categorizados pelo assunto tratado: leitura, escrita, geografia ou matemática, por exemplo.
  • Enciclopédias, atlas geográficos, livros de ciências, cursos multimídia e outras coisas nesse gênero são exemplos desse segmento.
Os Jogos Criativos
Os programas do tipo Criatividade usam a diversão e a curiosidade natural da criança para ensinar o que é menos óbvio, embora sejam ensinamentos igualmente, ou mais, valiosos. Pela apresentação de atraentes e envolventes mundos novos, prontos para serem explorados, repletos de desafios, enigmas e jogos, esses softwares de objetivo livre ensinam as crianças a desenvolverem os conceitos básicos — da simples forma correta de se sentar à mesa a complexas soluções de problemas — de que eles, com certeza, vão precisar mais tarde, na vida.
A idéia central é a de que a criança se diverte e nem nota que está aprendendo.
Podemos comparar esses programas do tipo Criatividade com os “livros de atividades” repletos de figuras para desenhar e pintar e quebra-cabeças para resolver. Só que as versões do computador adicionam a isso a beleza das ilustrações cheias de cores, animações e som para torná-los ainda mais interativos e divertidos.
Esses Jogos Criativos desenvolvem a capacidade de resolver problemas, o pensamento crítico e o raciocínio lógico e são indicados para uma faixa etária, na maioria, entre 3 e 8 anos e, em uns poucos casos, para 8 anos e acima.
Os Jogos Criativos envolvem um grande número de atividades. Vamos destacar algumas:
  • Ensinar a tomar decisões, mostrar conceitos de comportamento social correto, cidadania, normas de higiene, conceito de certo e errado.
  • Ensinar conceitos de ecologia, biologia, reciclagem de materiais, a dar nomes aos objetos, a identificar objetos usados em casa, na escola, na cidade, no campo, etc.
  • Ligar os pontos para formar figuras, compor cenários, compor ambientes, vestir figuras de modo adequado e variado, quebra-cabeças, jogos de memória, labirintos repletos de obstáculos, desafios e objetos escondidos.
  • Reconhecimento de objetos, formas, letras, números e noções de contagem.
Criança adora explorar o mundo à sua volta. Quer saber como as coisas funcionam e como reagem ao seu contato. Jogos como os de explorar lugares em busca de objetos escondidos superando obstáculos são dos mais preferidos. Os populares jogos de memória, como o de formar pares ocultos, desde que tenha diversificação e boa qualidade gráfica e sonora, ela simplesmente adora.
Programas que ofereçam desafios não repetitivos, em que o jogador precise vencer barreiras para conquistar algum objetivo, são excelentes para desenvolver a autoconfiança e a capacidade individual de resolver problemas. Desafios muito complexos não são recomendáveis para crianças entre 3 e 7 anos, elas não gostam.
Pontos positivos e negativos em softwares desse tipo por faixa etária:
  • Faixa etária: Entre 3 e 9 anos.
  • Pontos positivos: Som, música, voz de outras crianças, gráficos bem-feitos.
  • Pontos negativos: Música desagradável, voz de adultos, interface (aparência geral da tela, disposição dos controles, botões de comando, etc.) confusa, desenhos com poucos detalhes.
  • Faixa etária: 10 anos e acima.
  • Pontos positivos: Som, música, voz de adultos ou crianças mais velhas que elas, desafios mais elaborados, interface mais sóbria (não muito infantil) e gráficos bem-feitos.
  • Pontos negativos: Música desagradável, voz de crianças menores, interface muito infantil, desafios muito simples e desenhos com poucos detalhes.
Os programas de Desenho e Pintura
Os programas de Desenho e Pintura desenvolvem a criatividade e a imaginação infantil. Esses softwares são indicados para uma faixa etária muito dinâmica, entre 4 e 14 anos, e, em uns poucos casos, de 14 anos e acima.
Esse tipo de software agrada a todos sem distinção. Normalmente, meninos e meninas gostam muito.
Criança gosta muito de desenhar com ou sem o computador. Através do desenho, ela exercita seu lado criativo e suas fantasias. Com os recursos gráficos e as cores abundantes que os programas de computador desse tipo oferecem, ela vai estar no paraíso.
Programas que permitam desenhar, colorir, construir formas, ambientes conhecidos são muito bem aceitos e têm grande valor educativo e alta capacidade de entretenimento.
Eis alguns recursos que merecem destaque nesse tipo de software:
Atividades: O desejo que as crianças têm de tentar coisas novas, aliado à sua impaciência, pode rapidamente saturá-la com um software que apenas a deixe pintar e desenhar. Atividades artísticas predefinidas, tais como livros para colorir, construção de cartões e cartazes, construção de objetos ou ambientes a partir de uma galeria de formas existentes resolvem esse problema.
Textos: Efeitos especiais na elaboração de textos é um diferencial importante. A maioria dos programas não oferece a possibilidade de se usar letras estilizadas com formatos gráficos especialmente elaborados para a ocasião.
Animação: Slides e a possibilidade de se fazer animações com seus próprios desenhos são uma atração que agrada a todos.
Ferramentas de pintura e desenho: Vários tipos de lápis, pincéis, traços de formatos variados... Quanto mais recursos desse tipo, melhor.
Galeria de objetos: Galerias de objetos e formas, onde a criança pode selecionar uma figura ou cenários de fundo — como uma árvore, um animal, um objeto — e copiá-los para o seu desenho são um atrativo que deveria ser obrigatório. Isso tem um grande peso e é altamente recomendado, pois deixa a imaginação da criança fluir diante das possibilidades que ela terá diante de si para incrementar sua obra.
Para finalizar, uma observação importante: nunca compre um software apenas pelo que está escrito e desenhado na embalagem, dê um jeito de testá-lo antes. Algumas lojas possuem cópias disponíveis para esse fim, e outras não testam.
Se a loja não testa, procure uma que o faça para não ter surpresas desagradáveis depois. Apesar do direito do consumidor alegar que você pode trocar produtos à vontade, a loja tem obrigação apenas de trocar o software por outro igual e caso seja comprovado algum defeito de fabricação no produto.


 
 Alberto Jorge Filho trabalha com desenvolvimento de softwareeducativo infantil. 

Postado por Fabiana às 11:03 0 comentários  

Marcadores: materia

Como ultilizar a internet na educação


A Internet está explodindo como a mídia mais promissora desde a implantação da televisão. É a mídia mais aberta, descentralizada e, por isso mesmo, mais ameaçadora para os grupos políticos e econômicos hegemônicos. Aumenta o número de pessoas ou grupos que criam, na Internet, suas próprias revistas, emissoras de rádio ou de televisão, sem pedir licença ao Estado ou estar vinculados a setores econômicos tradicionais. Cada um pode dizer nela o que quer, conversar com quem desejar, oferecer os serviços que considerar convenientes. Como resultado, começamos a assistir a tentativas de controlá-la de forma clara ou sutil.
A distância hoje não é principalmente a geográfica, mas a econômica — ricos e pobres —, a cultural — acesso efetivo pela educação continuada —, a ideológica — diferentes formas de pensar e sentir — e a tecnológica — acesso e domínio, ou não, das tecnologias de comunicação. Uma das expressões claras de democratização digital se manifesta na possibilidade de acesso à Internet e de dominar o instrumental teórico para explorar todas as suas potencialidades.
A Internet também está explodindo na educação. Universidades e escolas correm para tornar-se visíveis, para não ficar para trás. Uns colocam páginas padronizadas, previsíveis, em que mostram a sua filosofia, as atividades administrativas e pedagógicas. Outros criam páginas atraentes, com projetos inovadores e múltiplas conexões.
A educação presencial pode modificar-se significativamente com as redes eletrônicas. As paredes das escolas e das universidades se abrem, as pessoas se intercomunicam, trocam informações, dados, pesquisas. A educação continuada é facilitada pela possibilidade de integração de várias mídias, acessando-as tanto em tempo real como assincronamente — isto é, no horário favorável a cada indivíduo —, e também pela facilidade de pôr em contato educadores e educandos.
Na Internet, encontramos vários tipos de aplicações educacionais: de divulgação, de pesquisa, de apoio ao ensino e de comunicação. A divulgação pode ser institucional — a escola mostra o que faz — ou particular — grupos, professores ou alunos criam sua home page pessoal com o que produzem de mais significativo. A pesquisa pode ser feita individualmente ou em grupo, ao vivo — durante a aula — ou fora da aula; pode ser uma atividade obrigatória ou livre. Nas atividades de apoio ao ensino, podemos conseguir textos, imagens, sons do tema específico do programa, utilizando-os como um elemento a mais, junto com livros, revistas e como um elemento a mais, junto com livros, revistas e vídeos. A comunicação se dá entre professores e alunos, entre professores e professores, entre alunos e outros colegas da mesma ou de outras cidades e países. A comunicação se dá com pessoas conhecidas e desconhecidas, próximas e distantes, interagindo esporádica ou sistematicamente.
As redes atraem os estudantes. Eles gostam de navegar, de descobrir endereços novos, de divulgar suas descobertas, de comunicar-se com outros colegas. Mas também podem perder-se entre tantas conexões possíveis, tendo dificuldade em escolher o que é significativo, em fazer relações, em questionar afirmações problemáticas.

A Internet na educação contínua
O art. 80 da Nova LDB/96 incentiva todas as modalidades de ensino, a distância e continuada, em todos os níveis. A utilização integrada de todas as mídias eletrônicas e impressas pode ajudar-nos a criar todas as modalidades de curso necessárias para dar um salto qualitativo na educação continuada, na formação permanente de educadores, na reeducação dos desempregados.
Estamos numa etapa de transição quantitativa e qualitativa das mídias eletrônicas. Estamos passando de uma fase de carência de canais para uma outra, de superabundância. Na TV a cabo e por satélite, podemos aumentar o número de canais pela compressão digital em até várias centenas. Mesmo a televisão aberta (VHF) vai poder proximamente, com a TV digital, multiplicar por cinco o número de canais ofertados até agora.
Há uma clara aproximação entre a televisão, o computador e a Internet. O Netputer, a webTV, a tela em que trabalhamos e vemos televisão aproximam áreas tecnológicas que até agora estavam separadas. A chegada da Internet à TV a cabo, sem dúvida, é um marco decisivo para visualizar imagens em movimento e sons, integrando o audiovisual, a hipermídia, o texto “linkado” e a narrativa do cinema e da TV.
Estamos, em conseqüência, diante de um panorama poderoso para integrar todas essas mídias no ensino a distância e continuado. A Internet, ao tornar-se mais e mais hipermídia, começa a ser um meio privilegiado de comunicação de professores e alunos, já que permite juntar a escrita, a fala e, proximamente, a imagem a um custo barato, com rapidez, flexibilidade e interação até pouco tempo impossíveis. As grandes universidades e instituições educacionais norte-americanas, canadenses e européias estão investindo maciçamente em todo tipo de cursos que utilizam também a Internet. A home page do Ined traz dezenas de artigos em português e inglês sobre ensino a distância e muitos endereços de instituições que estão oferecendo programas de ensino a distância no mundo inteiro. O endereço é: http://www.ibase.org.br/~ined/.
Neste artigo, vou concentrar-me em como utilizar a Internet no ensino presencial, no que está organizado para o encontro físico em salas de aula. Aqui já podemos introduzir formas de pesquisa e comunicação não presenciais, que nos ajudarão a renovar a forma de dar aula, de fazer pesquisa, de nos relacionar dentro e fora da sala de aula.
A pesquisa na Internet
A Internet está trazendo inúmeras possibilidades de pesquisa para professores e alunos, dentro e fora da sala de aula. A facilidade de, digitando duas ou três palavras nos serviços de busca, encontrar múltiplas respostas para qualquer tema é algo deslumbrante, impossível de ser imaginado há bem pouco tempo. Isso traz grandes vantagens e, também, alguns problemas.
Podemos partir, na pesquisa, do geral para o específico, dos grandes tópicos para os subtópicos. Num primeiro momento, procuramos, nos programas de busca, as palavras-chave mais abrangentes, mais amplas. Por ca, as palavras-chave mais abrangentes, mais amplas. Por exemplo, televisão, televisão e educação. As palavras podem ser buscadas em serviços norte-americanos como o Altavista, digitando-as — além do inglês — em português ou em espanhol, o que apontará os endereços predominantemente nessas línguas. As primeiras buscas mostrarão milhares de resultados. Escolheremos alguns das primeiras páginas. Gravamos alguns endereços, anotamos por escrito também as observações principais. O estudante iniciante na Internet se deixa, primeiro, deslumbrar quando vê que uma pesquisa apresenta cem mil resultados. Depois desanima, ao constatar que não pode esgotá-la, que há inúmeras repetições, muitas indicações equivocadas. Convém procurar mais de um programa de busca, porque os resultados não são idênticos.
Num segundo momento, dirigimos mais a busca para temas específicos: por exemplo, televisão a cabo, televisão de acesso público, televisão comunitária, televisão interativa. Fazemos essa pesquisa em vários programas de busca. Vamos abrindo alguns endereços. Com a prática, desenvolvemos a habilidade de descobrir onde estão os melhores endereços, nos que vale a pena aprofundar. Fazêmo-lo observando a organização dos tópicos, a riqueza e variedade de artigos, a respeitabilidade da instituição e dos pesquisadores.
Podemos coordenar pesquisas com objetivos bem específicos, monitorando de perto cada etapa da busca, pedindo que anotem os dados mais importantes e que reconstruam, ao final, os resultados. É importante sensibilizar o aluno antes para o que se quer conseguir naquele momento, naquele tópico. Se o aluno tem isso claro ou encontra valor no que vai pesquisar, o fará com mais rapidez e eficiência. O professor precisa estar atento, porque a tendência na Internet é para a dispersão fácil. O intercâmbio constante de resultados e a supervisão do professor podem ajudar a obter melhores resultados.
Na pesquisa com objetivos bem específicos, podemos fazer uma busca “uniforme”, isto é, todos pesquisam os mesmos endereços previamente indicados pelo professor ou fazem uma busca mais aberta sobre o mesmo assunto. Vale a pena alternar as duas formas. Na primeira, há menos variedade de lugares pesquisados, mas podem-se aprofundar mais os resultados. Na segunda, ao deixar menos definidos os lugares e mais o tema, as possibilidades de encontrar resultados inesperados aumenta.
Podemos fazer pesquisas de temas diferentes, individualmente ou em pequenos grupos. É interessante que os alunos escolham algum assunto dentro do programa que esteja mais próximo do que eles valorizam mais. Essas pesquisas podem ser realizadas dentro e fora do período de aula. Durante a aula, o professor acompanha cada aluno, tira dúvidas, dá sugestões, incentiva, complementa os resultados, aprende com as informações que os alunos passam. Essas pesquisas são depois apresentadas para os demais colegas e para o professor. Este complementa, problematiza, adapta à realidade local os resultados trazidos pelos alunos.
Como há tantas possibilidades de pesquisa e facilidade de dispersão, o educador estará atento, na aula-pesquisa, a escolher o melhor momento de cada aluno comunicar os seus resultados para a classe. A comunicação de resultados pode ser espontânea: o professor pede que, quando alguém encontre algo significativo, comunique a todos. Isso ajuda a que os colegas possam avançar mais, aprofundar os melhores sites, os mesmos assuntos.
Pode-se também, ao final do período da aula-pesquisa, pedir aos alunos que relatem a síntese do que encontraram de mais significativo. Os alunos terão gravadas as principais páginas, junto com um roteiro de anotações, para esclarecer a navegação feita e encontrar melhores relações ao final. Um aprofundamento dos resultados pesquisados pode ser deixado para a próxima aula. Os alunos fazem, fora da aula, a análise das páginas encontradas. Procuram o que houve de mais significativo. Esses dados são colocados em comum na aula seguinte. Professor e alunos relacionam as coincidências e divergências entre os resultados encontrados e as informações já conhecidas em reflexões anteriores, em livros e revistas. Essa discussão maior é importante para que a Internet não se torne só uma bela diversão e que esse tempo de pesquisa se multiplique pela difusão em comum, pela troca, discussão, síntese final. A comunicação dos resultados ao grupo é, cada vez mais, relevante pela quantidade, variedade e desigualdade de dados, informações contidas nas páginas da Internet. Há muitos pontos de vista diferentes explicitados. A colocação em comum facilita a comparação, a seleção, a organização hierárquica de idéias, conceitos, valores. A tendência dos alunos é quantificar mais do que analisar. Juntam inúmeras páginas. Se não estivermos atentos, não explorarão todas as possibilidades nelas contidas.
A pesquisa na Internet requer uma habilidade especial devido à rapidez com que são modificadas as informações nas páginas e à diversidade de pessoas e pontos de vista envolvidos. A navegação precisa de bom senso, gosto estético e intuição. Bom senso para não deter-se, diante de tantas possibilidades, sabendo selecionar, em rápidas comparações, as mais importantes. A intuição é um radar que vamos desenvolvendo de clicar o mouse nos links que nos levarão mais perto do que procuramos. A intuição nos leva a aprender por tentativa, acerto e erro. Às vezes passaremos bastante tempo sem achar algo importante e, de repente, se estivermos atentos, conseguiremos um artigo fundamental, uma página esclarecedora. O gosto estético nos ajuda a reconhecer e a apreciar páginas elaboradas com cuidado, com bom gosto, com integração de imagem e texto. Principalmente para os alunos, o estético é uma qualidade fundamental de atração. Uma página bem apresentada, com recursos atraentes, é imediatamente selecionada, pesquisada.
Acontece com freqüência encontrar assuntos novos, diferentes dos buscados e que também podem interessar a alguém em particular. O educador não deve simplesmente dizer ao aluno que aquele assunto não faz parte da aula. Pode pedir-lhe que grave rapidamente o que achar mais importante e que deixe para outro momento o aprofundamento desse novo assunto, para voltar logo ao tema específico da aula.
Não podemos nos deslumbrar com a pesquisa na Internet e deixar de lado outras tecnologias. A chave do sucesso está em integrar a Internet com as outras tecnologias — vídeo, televisão, jornal, computador. Integrar o mais avançado com as técnicas já conhecidas, dentro de uma visão pedagógica nova, criativa, aberta.
A comunicação na Internet
Todos procuram, na rede, seus semelhantes, seus interesses. Cada um busca a sua “turma”; busca pessoas que tenham gostos, valores e expectativas parecidos; pessoas fisicamente próximas e distantes, conhecidas e desconhecidas.
Uma das características mais interessantes da Internet é a possibilidade de descobrir lugares inesperados, de encontrar materiais valiosos, endereços curiosos, programas úteis, pessoas divertidas, informações relevantes. São tantas as conexões possíveis que a viagem vale por si mesma. Viajar na rede precisa de intuição acurada, de estar atento para fazer tentativas no escuro, para acertar e errar. A pesquisa nos leva a garimpar jóias entre um monte de banalidades, a descobrir pedras preciosas escondidas no meio de inúmeros sites publicitários.
A comunicação torna-se mais e mais sensorial, mais e mais multidimensional, mais e mais não-linear. As técnicas de apresentação são mais fáceis hoje e mais atraentes do que anos atrás, o que aumentará o padrão de exigência para mostrar qualquer trabalho através de sistemas multimídia. O som não será um acessório, mas uma parte integral da narrativa. O texto, na tela, aumentará de importância, pela sua maleabilidade, facilidade de correção, de cópia, por seu deslocamento e sua transmissão.
Na educação, professores e alunos praticam formas de comunicação novas. Encontram colegas com os que podem comunicar-se facilmente por correio eletrônico, por listas de discussão, por comunicação instantânea através de programas como o ICQ. Atualmente, começa a comunicar-se através de voz (programas como o Iphone) e também de imagem (programas como o CuSeeme ou a última versão do Iphone).
Aumenta a procura pelos chats ou bate-papos. Muitos estudantes passam horas seguidas em conversas aleatórias, fragmentadas, num autêntico jogo de cena, de camuflagem de identidade, de meias-verdades. Mas o chat tem um grande potencial democrático, por ser aberto, multidimensional. Nessas trocas, acontecem encontros virtuais, criam-se amizades, relacionamentos inesperados que começam virtualmente e, muitas vezes, levam a contatos presenciais.
Começamos a ser nossos próprios editores de textos e diretores de imagens na Internet. Há centenas textos e diretores de imagens na Internet. Há centenas de jornais escolares na rede. Quem tem algo a dizer pode fazê-lo sem depender da autorização de emissoras, jornais ou conselhos editoriais; basta colocá-lo na sua página pessoal. Os estudantes podem mostrar sua capacidade on line, ao vivo, sem ter de esperar anos pelo ingresso formal no mercado de trabalho. O artista pode divulgar suas obras para o mundo inteiro imediatamente. O pesquisador consegue publicar, na rede, os resultados do seu trabalho instantaneamente, sem depender do julgamento de especialistas e sem demora na publicação. Isso torna mais difícil a seleção do que vale ou não vale a pena ser lido. Nem sempre há um conselho editorial de notáveis para filtrar os melhores artigos. Com isso, há muito lixo cultural, mas também se amplia imensamente o número e a variedade de pessoas que se expõem ao julgamento público.
As profissões ligadas à informação e à comunicação estão experimentando um grande desenvolvimento. Cada vez temos menos tempo para procurar tantas informações necessárias. Por isso, precisamos de mediadores, de pessoas que saibam escolher o que é mais importante para cada um de nós em todas as áreas da nossa vida, que garimpem o essencial, que nos orientem sobre as suas conseqüências, que traduzam os dados técnicos em linguagem acessível e contextualizada.
Avaliação da utilização da Internet na educação presencial
Nos projetos brasileiros que temos acompanhado, podemos observar algumas dimensões positivas e alguns problemas. Aumenta a motivação, o interesse dos alunos pelas aulas, pela pesquisa, pelos projetos. Motivação ligada à curiosidade pelas novas possibilidades, à modernidade que representa a Internet. Há uma primeira etapa de deslumbramento, de curiosidade, de fascínio diante de tantas possibilidades novas. Depois vem a etapa de domínio da tecnologia, de escolha das preferências. Depois, começa-se a enxergar os defeitos, os problemas, as dificuldades de conexão, as repetições, a demora.
Comparando as minhas aulas, agora e antes da Internet, posso afirmar que aumentou significativamente a motivação, o interesse e a comunicação com os alunos e a deles entre si. Estão mais abertos, confiantes. Intercambiamos mais materiais, sugestões, dúvidas. Trazem-me muitas novidades. Já me aconteceu de, em alguns seminários, apresentarem resultados com informações que eu desconhecia sobre tópicos do meu programa, por estarem extremamente atualizadas, o que traz novas perspectivas para a matéria.
O aluno aumenta as conexões lingüísticas, as geográficas e as interpessoais. As lingüísticas porque interage com inúmeros textos, imagens, narrativas, formas coloquiais e formas elaboradas; com textos sisudos e textos populares. As geográficas porque se desloca continuamente em diferentes espaços, culturas, tempos e adquire uma visão mais ecológica sobre os problemas da cidade. As interpessoais porque se comunica e conhece pessoas próximas e distantes, da sua idade e de outras idades, on line e off line.
O aluno desenvolve a aprendizagem cooperativa, a pesquisa em grupo, a troca de resultados. A interação bem-sucedida aumenta a aprendizagem. Em alguns casos, há uma competição excessiva, o monopólio de determinados alunos sobre o grupo. Mas, no conjunto, a cooperação prevalece.
A Internet ajuda a desenvolver a intuição, a flexibilidade mental, a adaptação a ritmos diferentes. A intuição porque as informações vão sendo descobertas por acerto e erro, por conexões “escondidas”. As conexões não são lineares, vão “linkando-se” por hipertextos, textos interconectados, mas ocultos, com inúmeras possibilidades diferentes de navegação. Desenvolve a flexibilidade porque a maior parte das seqüências são imprevisíveis, abertas. A mesma pessoa costuma ter dificuldades em refazer a mesma navegação duas vezes. Ajuda na adaptação a ritmos diferentes: a Internet permite a pesquisa individual, em que cada aluno vai no seu próprio ritmo, e a pesquisa em grupo, em que se desenvolve a aprendizagem colaborativa.
Na Internet, também desenvolvemos formas novas de comunicação, principalmente escrita. Escrevemos de forma mais aberta, hipertextual, conectada, multilingüística, aproximando texto e imagem. Agora, começamos a incorporar sons e imagens em movimento. A possibilidade de divulgar páginas pessoais e grupais na Internet gera uma grande motivação, visibilidade, responsabilidade para professores e alunos. Todos se esforçam por escrever bem, por comunicar melhor as suas idéias, para serem aceitos, para “não fazer feio”. Alguns dos endereços mais interessantes ou visitados da Internet no Brasil são feitos por adolescentes ou jovens.
A aprendizagem de línguas, principalmente do inglês, é um dos principais motivos para o sucesso dos projetos. Os alunos enviam e recebem mensagens, muitas vezes em inglês, o que exige uma boa fluência na língua estrangeira. Com programas de comunicação na Internet em tempo real, a necessidade de domínio de línguas estrangeiras é mais percebida. Em programas de IRC, de audiofone (como o Iphone), de videoconferência, os alunos escrevem ou falam ao vivo, com rapidez.
Outro resultado comum à maior parte dos projetos na Internet confirma a riqueza de interações que surgem, os contatos virtuais, as amizades, as trocas constantes com outros colegas, tanto por parte de professores como dos alunos. Os contatos virtuais se transformam, quando é possível, em presenciais. A comunicação afetiva, a criação de amigos em diferentes países, se transforma em um grande resultado individual e coletivo dos projetos.
Alguns problemas
Criam-se todos os dias mais de 140 mil novas páginas de informações e serviços na rede. Há informações demais e conhecimento de menos no uso da Internet na educação. E há uma certa confusão entre informação e conhecimento. Temos muitos dados, muitas informações disponíveis. Na informação, os dados estão organizados dentro de uma lógica, de um código, de uma estrutura determinada. Conhecer é integrar a informação no nosso referencial, no nosso paradigma, apropriando-a, tornando-a significativa para nós. O conhecimento não se passa; o conhecimento se cria, se constrói.
Há facilidade de dispersão. Muitos alunos se perdem no emaranhado de possibilidades de navegação. Não procuram o que está combinado, deixando-se arrastar para áreas de interesse pessoal. É fácil perder tempo com informações pouco significativas, ficando na periferia dos assuntos, sem aprofundá-los, sem integrá-los num paradigma consistente. Conhecer se dá ao filtrar, selecionar, comparar, avaliar, sintetizar, contextualizar o que é mais relevante, significativo.
Há informações que distraem, pouco acrescentando ao que já sabemos, mas que ocupam muito tempo de navegação. Perde-se muito tempo na rede. Percebe-se isso ao se observar a variedade de listas de discussão e newsgroupssobre qualquer tipo de assunto banal. Mas, em contrapartida, a Internet espelha, nessas listas, os desejos reais de cada um de nós, sem termos o controle do Estado ou de outras instituições, que em outras mídias sempre estão “orientando-nos”, oferecendo-nos os “melhores” produtos econômicos e culturais.
Constato também a impaciência de muitos alunos por mudar de um endereço para outro. Essa impaciência os leva a aprofundar pouco as possibilidades que há em cada página encontrada. Os alunos, principalmente os mais jovens, “passeiam” pelas páginas da Internet, descobrindo muitas coisas interessantes, enquanto deixam, por afobação, outras tantas, tão ou mais importantes, de lado.
É difícil avaliar rapidamente o valor de cada página, porque há muita semelhança estética na sua apresentação, há muita cópia da forma e do conteúdo: copiam-se os mesmos sites, os mesmos gráficos, animações, links.
Nem sempre é fácil conciliar os diferentes tempos dos alunos. Uns respondem imediatamente, outros demoram mais, são mais lentos. A lentidão pode permitir um maior aprofundamento. Na pesquisa individual, esses ritmos diferentes podem ser respeitados. Nos projetos de grupo, isso depende muito do coordenador e do respeito entre seus membros.
A participação dos professores é desigual. Alguns se dedicam a dominar a Internet, a acompanhar e supervisionar os projetos. Outros, às vezes, por estarem sobrecarregados, acompanham a distância o que os alunos fazem, e vão ficando para trás no domínio das ferramentas da Internet. Esses professores terminam pedindo aos alunos as informações essenciais. Em avaliações dos projetos educacionais que utilizam a Internet, há queixas de que muitos professores vão deixando de estar atentos aos projetos dos alunos, que não se atualizam, não mexem no computador e empregam mal o tempo de aula e de pesquisa.
Professores e alunos se relacionam com a Internet como se relacionam com todas as outras tecnologias. Se são curiosos, descobrem inúmeras novidades nela, como em outras mídias. Se são acomodados, só falam dos problemas da lentidão, das dificuldades de conexão, do lixo inútil, de que nada muda.
Integrar a Internet em um novo paradigma educacional
Ensinar na e com a Internet atinge resultados significativos quando ela está integrada em um contexto estrutural de mudança do ensino–aprendizagem, onde professores e alunos vivenciam processos de comunicação abertos, de participação interpessoal e grupal efetivos. Caso contrário, a Internet será uma tecnologia a mais, que reforçará as formas tradicionais de ensino. A Internet não modifica sozinha o processo de ensinar e aprender, mas depende, essa mudança, da atitude básica pessoal diante da vida, do mundo, de si mesmo e do outro e das atitudes fundamentais das instituições escolares.
A palavra-chave é integrar: integrar a Internet às outras tecnologias na educação — vídeo, televisão, jornal, computador. Integrar o mais avançado com as técnicas convencionais, integrar o humano ao tecnológico, dentro de uma visão pedagógica nova, criativa, aberta.
Há um pouco de confusão entre tecnologias interativas — que permitem interação — e processos interativos. Uma tecnologia pode ser profundamente interativa, como, por exemplo, o telefone, que permite o intercâmbio constante entre quem fala e quem responde. Isso não significa que, automaticamente, a comunicação entre pessoas, pelo telefone, seja interativa no sentido profundo. As pessoas podem manter formas de interação autoritárias, dependentes, contraditórias, abertas. O telefone facilita a troca, não a realiza sempre. Isso depende das pessoas envolvidas.
A mesma situação acontece com a Internet. Fala-se das inúmeras possibilidades de interação, de troca, de pesquisa. Elas existem. Mas, na prática, se uma escola mantém um projeto educacional autoritário, controlador, a Internet não irá modificar o processo já instalado. A Internet será uma ferramenta a mais que reforçará o autoritarismo existente: a escola fará tudo para controlar o processo de pesquisa dos alunos, os resultados esperados, a forma impositiva de avaliação. Os alunos, eventualmente, ou alguns professores poderão estabelecer formas de comunicação menos autoritárias, mas, para isso, precisam contrariar a filosofia da escola, mudando-a por conta própria, sem o endosso institucional.
Compreendo perfeitamente que a Internet é uma ferramenta fantástica para abrir caminhos novos, para abrir a escola para o mundo, para trazer inúmeras formas de contato com o mundo. Mas essas possibilidades só acontecem se, na prática, as pessoas estão atentas, preparadas, motivadas para querer saber, aprofundar, avançar na pesquisa, na compreensão do mundo. Quem está acomodado em uma atitude superficial diante das coisas pesquisará de forma superficial.
Vejo inúmeras pessoas — adultas e jovens — que se aborrecem com a Internet. Acham só problemas em pesquisar. Reclamam de que encontram milhares de sites que só tem propaganda, que muitos endereços não entram, que nunca acham o que procuram e que o que encontram está em inglês. Colocam desculpas para não pesquisar mais, porque realmente, para elas, pesquisar é um problema. Enquanto isso, ficam horas seguidas, provavelmente, em programas de bate-papo, de “conversa” superficial, interminável e pouco produtiva, para quem olha de fora.
Nossa mente é a melhor tecnologia, infinitamente superior em complexidade ao melhor computador, porque pensa, relaciona, sente, intui e pode surpreender. Faremos com as tecnologias mais avançadas o mesmo que fazemos conosco, com os outros, com a vida. Se somos pessoas abertas, as utilizaremos para comunicar-nos mais, para interagir melhor. Se somos pessoas fechadas, desconfiadas, utilizaremos as tecnologias de forma defensiva, superficial. Se somos pessoas autoritárias, utilizaremos as tecnologias para controlar, para aumentar o nosso poder. O poder de interação não está fundamentalmente nas tecnologias, mas nas nossas mentes.
Ensinar com a Internet será uma revolução se mudarmos simultaneamente os paradigmas do ensino. Caso contrário, servirá somente como um verniz, um paliativo ou uma jogada de marketing para dizer que o nosso ensino é moderno e cobrar preços mais caros nas já salgadas mensalidades. A profissão fundamental do presente e do futuro é educar para saber compreender, sentir, comunicar-se e agir melhor, integrando a comunicação pessoal, a comunitária e a tecnológica.
José Manuel Moran

Postado por Fabiana às 10:32 0 comentários  

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